Arquitetura Técnica em Património
Arquitetura Técnica em Património
Intervenção proposta num edifício existente de valor patrimonial reconhecido, integrado em tecido urbano consolidado, com características construtivas tradicionais e limitações físicas significativas.
O programa pretendido implicava:
alteração de uso com aumento de lotação;
aplicação integral das exigências de Segurança Contra Incêndio em Edifícios (SCIE);
manutenção dos valores patrimoniais e construtivos existentes.
O processo avançava com base num estudo arquitetónico já definido, assumindo que as exigências SCIE seriam resolvidas em fase de projeto.
A análise evidenciou um padrão recorrente em processos de património:
a classificação da utilização-tipo e da categoria de risco SCIE implicava exigências incompatíveis com a configuração do edifício;
os percursos de evacuação, larguras, escadas e compartimentação exigidos não eram compatíveis com a estrutura existente sem demolições significativas;
as soluções SCIE necessárias implicariam a destruição de elementos construtivos e espaciais de valor patrimonial;
a abordagem tratava SCIE como problema técnico posterior, quando na realidade condicionava a decisão de uso desde a origem.
O risco não era regulamentar — era estrutural.
De acordo com padrões recorrentes de indeferimento e exigências corretivas:
a utilização pretendida colocava o edifício numa categoria de risco incompatível com a sua morfologia;
a adaptação do edifício às exigências mínimas de evacuação e compartimentação não era tecnicamente viável sem perda patrimonial significativa;
as medidas de autoproteção exigidas seriam incoerentes com a exploração real e com a capacidade física do edifício.
Nestes casos, o cumprimento literal do SCIE não falha por detalhe, falha por incompatibilidade entre uso, edifício e segurança.
A Euritmia foi chamada a intervir para clarificar o enquadramento técnico antes da decisão final.
A atuação incidiu em:
leitura integrada entre património e SCIE, sem hierarquizar artificialmente os regimes;
identificação de riscos máximos não mitigáveis, nos termos da matriz interna de decisão;
demonstração de que o problema não era o projeto, mas a decisão de uso;
delimitação objetiva do que seria tecnicamente admissível sem comprometer segurança nem património.
A análise demonstrou que:
a manutenção do uso pretendido conduziria, com elevada probabilidade, a indeferimento ou exigências inviabilizantes;
a compatibilização plena SCIE implicaria intervenções construtivas incompatíveis com a preservação do edifício;
o risco não era resolúvel por mitigação técnica, mas apenas por reformulação da decisão inicial.
Com base no enquadramento técnico produzido, foi possível:
evitar o desenvolvimento de um projeto estruturalmente inviável;
redefinir o uso e a estratégia de intervenção para níveis compatíveis com o edifício existente;
integrar SCIE como critério de decisão, e não como correção tardia.
Neste caso, o valor esteve em interromper o processo no momento certo.
Este exemplo ilustra um princípio crítico:
Em património, a Segurança Contra Incêndio não é um problema de projeto,
é um problema de decisão.
É neste ponto que a Euritmia atua:
clareza técnica antes da decisão
A Euritmia analisará os elementos enviados e indicará se o enquadramento é adequado a Relatório Prévio, Parecer Técnico ou outro instrumento.